TCU analisa sobrepreço em obra da Fiocruz

Foi detectado sobrepreço de R$ 49 milhões em um dos contratos para a instalação do novo Centro de Processamento de Imunobiológicos

qua, 13/09/2017 - 11:45

O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), vai propor nesta quarta-feira, 13, que a Comissão Mista de Orçamento do Congresso bloqueie o repasse de recursos para a instalação do novo Centro de Processamento de Imunobiológicos de Biomanguinhos, braço da Fiocruz responsável pela produção de vacinas e outros medicamentos distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O motivo é sobrepreço de R$ 49 milhões detectado em um dos contratos do empreendimento.

O colegiado é o responsável por aprovar o Orçamento da União, fixando receitas e despesas. Em sua análise do caso, o relator pondera que, pelo impacto social do projeto, a comissão poderá tomar medida mais branda, mas os responsáveis pelas irregularidades detectadas continuarão sendo investigados, ficando sujeitos a ressarcir o erário por eventuais danos. O TCU fez ampla auditoria sobre o novo centro de produção. Relatório da Corte sustenta que, se uma série de medidas não for tomada, o "dano potencial" pode alcançar R$ 235 milhões.

O vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Mário Moreira, afirmou que a fundação foi informada sobre dúvidas do TCU. Há alguns dias, completou, a Fiocruz encaminhou uma defesa sobre o caso. "Ela está bastante consistente."

O novo centro de processamento é considerado etapa importante para a ampliação da capacidade de produção de vacinas e outros produtos imunobiológicos da Fiocruz. A planta, a ser concluída em quatro anos, ficaria encarregada de fazer o processamento final dos produtos, incluindo o envasamento. "Nossa expectativa é de quintuplicar a produção de Biomanguinhos, o que nos daria condições de ampliar de forma significativa nossa participação no mercado internacional", diz Moreira.

Atualmente, Biomanguinhos produz em média 100 milhões de doses ao ano. O projeto era de que, quando a planta estivesse em pleno funcionamento, essa capacidade passasse para 500 milhões de doses anuais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

COMENTÁRIOS dos leitores